loucuras de sexta-feira
sexta-feira, 6 de junho de 2014
domingo, 25 de maio de 2014
Fora de campo
Falemos de coisas sérias! Hoje as notícias do dia são duas: o Real Madrid venceu a "la décima" taça da Champions e a abstenção registada em dia de Eleições Europeias. Mas enquanto quase-jornalista apetece-me falar de outra coisa: os melhores fora de campo do jogo de ontem. Na verdade, não é uma escolha muito complicada de se fazer, já não é fácil encontrar bons jogadores fora de campo. É a vida.
Xabi Alonso, o médio que, mesmo suspenso, continua a ser o melhor do Real Madrid fora de campo.
Iker Casillas, o guarda-redes que em 2010 beijou a namorada/jornalista Sara Carbonero em direto!
quinta-feira, 27 de março de 2014
O dia-em-que-a-pequena-me-chocou-o-coração
Trabalhar como caixa de um hipermercado, implica, a grande
maioria das vezes, ser-se uma ouvinte sempre pronta e uma espécie de recipiente
onde se depositam todas e quaisquer ideias (inclusive as mais absurdas.
Principalmente as mais absurdas). O dia-em-que-a-pequena-me-chocou-o-coração
foi um exemplo, infeliz, de uma dessas ideias (ou devo dizer princípios?)
absurdas.
Uma pequena acompanhava a mãe na habitual rotina das compras
de fim de dia quando, no final do ciclo do hipermercado, se dirigem ao meu
posto de trabalho. Confesso que o sorriso da garota me enterneceu e, de certa
forma, me aliviou o cansaço. Mas depressa lhe mostrei a minha expressão mais
carregada, retorquindo o sorriso com um olhar de desilusão. Do lado de fora da
loja passeavam outra mãe e filha. Sendo que a pequenita era, fisicamente,
diferente. Tratava-se de uma criança com Síndrome de Down. Igualmente humana,
visivelmente feliz e cheia de vida, como tantas outras crianças. Tudo normal
até aqui não fosse a outra pequena, a tal que me chocou o coração, num gesto
impulsivo e notoriamente cruel, chamar a atenção da mãe dizendo “Mamã olha ali
uma menina esquisita. Nunca vi. O que é que ela tem?”. O que é que ela tem.
Apeteceu-me responder pela progenitora e explicar à menina que a outra menina
não tinha nada e que, provavelmente, aceitava a diferença melhor que ela.
Exatamente por ser diferente. A mãe, claramente constrangida, respondeu que em
casa lhe explicava a doença que a menina tinha. A doença? Fiquei zonza com
tamanho desconhecimento. Pior, fiquei indisposta com a atrocidade que acabara
de ouvir.
As restantes horas de trabalho foram a debitar sobre o que
se tinha ali passado, no meu local de trabalho, sendo que eu assistira aquela
cena em primeira fila. Desejei viver noutro planeta, ou pelo menos ter a sorte
de dispor de um emprego em que não tivesse de lidar diretamente com pessoas e
com a desumanidade delas. Em que mundo vivemos onde a diferença, que nem sei se
podemos chamar de diferente a uma pessoa portadora de Down, continua a ser
repugnada e onde o ser humano exclui, à partida, uma pessoa que se apresente
fisicamente diferente do indivíduo dito normal? Síndrome de Down é apenas e só
um distúrbio genético. Sob pena desse distúrbio, as pessoas portadoras têm uma
aparência física similar e por isso se distinguem facilmente. Podem ter um
nível de aproveitamento mais baixo que o normal, mas podem também por outro
lado, ser tão ou mais sucedidas que qualquer um de nós. Certamente que a
pequena-que-me-chocou-o-coração terá um défice no que toca à aceitação de
alguém diferente. A não ser que, por milagre ou investida da mãe, o princípio
da igualdade comece a reinar antes de tudo.
Tenho para mim que “aceitar o outro como ele é” deveria ser
uma disciplina a ser lecionada na primária. Tal como é a Língua Portuguesa, a
Matemática ou o Estudo do Meio. É que antes de sermos engenheiros, professores,
psicólogos, veterinários, bailarinos ou até mesmo operadores de caixa de um
hipermercado, somos seres humanos. E como tal, não podemos viver isolados no
mundo. E para tal temos e devemos aceitar o outro seja ele como for. Diz o
velho ditado que “de pequenino que se torce o pepino”. E como todo o ditado
popular, tem um fundo de razão. Tenho para mim que a
pequena-que-me-chocou-o-coração já vai tarde. Não será aos dez anos que irá
aprender a aceitar que nem toda a gente nasce igual mas que no que toca ao
nosso lugar no mundo, estamos todos no mesmo pedestal.
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
“O samba é o pai do prazer”
Não sei quando
nasceu a minha paixão pelo samba. Talvez mesmo antes de nascer. Hoje, quando
ouvi pela milésima vez dois gigantes da música brasileira (Seu Jorge e Caetano
Veloso) juntos, no mesmo palco, a cantarem uma ode ao samba senti uma nostalgia
enorme. É cara, tenho saudades desse samba.
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Amor, vou levar o lixo!
Estava deitada no baloiço brasileiro da varanda, quando reparo que o meu vizinho foi levar o lixo. Prontamente pensei: será que o amor é isto? Amor é ir levar o lixo? Talvez não só, mas também.
A minha história com o amor é complicada. Eu sou complicada e portanto tudo à minha volta se torna complicado, mesmo que se trate da situação mais simples do mundo. No amor não é diferente. Um dia apaixonei-me e no dia a seguir compliquei. Conclusão: a partir desse momento nunca o "amor é uma merda" fez tanto sentido na minha vida. Contudo, não é acerca disso que eu vou falar.
O que é o amor? A eterna questão... Amor é dormir em conchinha, amor é ir às compras para a semana, amor é fazer loucuras na praia à noite, amor é partilhar tudo com a pessoa que vale tudo na nossa vida, nomeadamente ir levar o lixo, à uma da manhã, numa noite de verão.
Afinal, de que forma o ato de ir levar o lixo está relacionado com o amor? Está, apenas está. Sem querer ferir qualquer tipo de susceptibilidades, levar o lixo está tradicionalmente relacionado com as tarefas do sexo feminino. E, ao ver o meu vizinho a ir levar o lixo, supus que ele o tivesse feito para deixar a mulher descansar e a liberar de mais uma tarefa. Isto é amor.
"Amor, vou levar o lixo!". No dia em que um homem mo disser, acredito não que encontrei o amor da minha vida, mas pelo menos o amor. Espero por esse dia. Quando um homem, depois de ter feito o jantar e ter arrumado a cozinha, ainda saia de casa à uma da manhã para ir levar o lixo. Nesse momento, sei que encontrei o amor.
Não se esqueçam de ir levar o lixo.
sexta-feira, 28 de junho de 2013
"Aquelas coisitas de frango frito"
Trabalhar
como caixa num hipermercado é muitas vezes um fardo e uma chatice. Mas o
sorriso, ainda que forjado, tem de estar presente, bem como a atenção e a
disponibilidade. É-se ouvinte sem querer e porto de desabafos quando menos se
quer e se espera. E como tal, há sempre um ou outro cliente que arrancam de nós
um esticar de lábios sincero e instantâneo (regra geral são os mais
pequeninos). É o caso do menino que queria “aquelas coisitas de frango frito”.
Num dia normal de trabalho, vejo abeirar-se do tapete das compras um metro e
meio de gente a sorrir-me e a dizer “a mãe vai comprar-me o quartel dos
bombeiros”. O típico. No momento a seguir oiço a mãe confidenciar-me que o pobre
menino tinha ido ao hospital na sequência de um problema num joelho e que, como
se tinha portado muito bem, iria alcançar o tal desejado quartel dos bombeiros.
Confesso que a primeira coisa em que pensei foi na incapacidade dos pais dos
dias de hoje em dizer “não!”. Quando, no auge dos meus cinco anos, ia com muito
sacrifício ao Senhor Doutor, nunca tive como recompensa um brinquedo (e espero
que a memória não me esteja a falhar). Chegava-me o colo da
minha mãe durante
toda a consulta e o “vês, como és forte” à saída do consultório. Tenho pena,
tenho muita pena que os papás de hoje em dia se recusem a dizer não, sob pena
de traumatizar a infância da criança e desta ficar com danos psicológicos para
toda a vida. Pois é papás, mas ao dizerem “sim” a todo e qualquer capricho,
estão a inculcar nos vossos meninos um espírito de facilidade sem qualquer
sacrifício e a fazer deles futuros adolescentes, homens e mulheres um tanto ou
quanto egocêntricos e mimados, que acham que tudo podem porque sempre tiveram tudo
só por pedir. Não sou mãe, ainda, e sei,
porque tenho uma e irmãos mais novos, que é muito difícil dizer um “não, João”,
“isso é muito caro, Ana”. Desconfio que devem ser das palavras mais complicadas
de se proferir e mais complicado ainda será ver o dito beicinho desabrochar.
Mas eu levei muitos “nãos” e estou aqui não estou? Tudo bem, talvez aos olhos
de muitos seja a dita mimada e egocêntrica, mas isso são outros carnavais. A
mamã do menino que queria “aquelas coisitas de frango frito”, é só uma num milhão.
Ainda consigo ver o ar de preocupada e, ao mesmo tempo, arreliada quando me
disse que o menino merecia porque se tinha portado bem. E como se não bastasse
levar o quartel dos bombeiros para casa, o pequenote, ainda antes de abandonar
o meu posto de trabalho, pergunta-me se “aqui têm aquelas coisitas de frango
frito?”. A mãe aprontou-se a responder dizendo que eram os tão deliciosos
nuggets (também sou fã, desenganem-se) e a dizer ao filhote que iam buscar com
certeza, porque ele, efetivamente, merecia.
Mãe e filho
terminaram a conta, pagaram e despediram-se com um “boa sorte, minha senhora”. Tudo
normal até aqui, mas qual não é o meu espanto quando, ao ver o pequenote virar
costas, o vejo agarrado à pernita e o joelho a ceder. A mãe numa atitude instintiva
apressou-se a agarrá-lo ao colo e ele, como eu fazia no auge dos meus cinco
anos, a esconder a dor no ombro da mamã. Pensei para comigo “caraças pah, o
pequenote merecia mesmo o quartel dos bombeiros”. E no final de contas, desta
vez, o “sim” tão certo e sempre pronto da mamã foi bem dado. Só espero que,
para apaziguar a dor, o pequenote tenha tido direito “aquelas coisitas de
frango frito”.
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