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quarta-feira, 28 de agosto de 2013

“O samba é o pai do prazer”

Não sei quando nasceu a minha paixão pelo samba. Talvez mesmo antes de nascer. Hoje, quando ouvi pela milésima vez dois gigantes da música brasileira (Seu Jorge e Caetano Veloso) juntos, no mesmo palco, a cantarem uma ode ao samba senti uma nostalgia enorme. É cara, tenho saudades desse samba. 




segunda-feira, 1 de julho de 2013

Amor, vou levar o lixo!

Estava deitada no baloiço brasileiro da varanda, quando reparo que o meu vizinho foi levar o lixo. Prontamente pensei: será que o amor é isto? Amor é ir levar o lixo? Talvez não só, mas também. 
A minha história com o amor é complicada. Eu sou complicada e portanto tudo à minha volta se torna complicado, mesmo que se trate da situação mais simples do mundo. No amor não é diferente. Um dia apaixonei-me e no dia a seguir compliquei. Conclusão: a partir desse momento nunca o "amor é uma merda" fez tanto sentido na minha vida. Contudo, não é acerca disso que eu vou falar. 
O que é o amor? A eterna questão... Amor é dormir em conchinha, amor é ir às compras para a semana, amor é fazer loucuras na praia à noite, amor é partilhar tudo com a pessoa que vale tudo na nossa vida, nomeadamente ir levar o lixo, à uma da manhã, numa noite de verão. 
Afinal, de que forma o ato de ir levar o lixo está relacionado com o amor? Está, apenas está. Sem querer ferir qualquer tipo de susceptibilidades, levar o lixo está tradicionalmente relacionado com as tarefas do sexo feminino. E, ao ver o meu vizinho a ir levar o lixo, supus que ele o tivesse feito para deixar a mulher descansar e a liberar de mais uma tarefa. Isto é amor.
 "Amor, vou levar o lixo!". No dia em que um homem mo disser, acredito não que encontrei o amor da minha vida, mas pelo menos o amor. Espero por esse dia. Quando um homem, depois de ter feito o jantar e ter arrumado a cozinha, ainda saia de casa à uma da manhã para ir levar o lixo. Nesse momento, sei que encontrei o amor.

Não se esqueçam de ir levar o lixo.




sexta-feira, 28 de junho de 2013

da sedução




"Aquelas coisitas de frango frito"

Trabalhar como caixa num hipermercado é muitas vezes um fardo e uma chatice. Mas o sorriso, ainda que forjado, tem de estar presente, bem como a atenção e a disponibilidade. É-se ouvinte sem querer e porto de desabafos quando menos se quer e se espera. E como tal, há sempre um ou outro cliente que arrancam de nós um esticar de lábios sincero e instantâneo (regra geral são os mais pequeninos). É o caso do menino que queria “aquelas coisitas de frango frito”. Num dia normal de trabalho, vejo abeirar-se do tapete das compras um metro e meio de gente a sorrir-me e a dizer “a mãe vai comprar-me o quartel dos bombeiros”. O típico. No momento a seguir oiço a mãe confidenciar-me que o pobre menino tinha ido ao hospital na sequência de um problema num joelho e que, como se tinha portado muito bem, iria alcançar o tal desejado quartel dos bombeiros. Confesso que a primeira coisa em que pensei foi na incapacidade dos pais dos dias de hoje em dizer “não!”. Quando, no auge dos meus cinco anos, ia com muito sacrifício ao Senhor Doutor, nunca tive como recompensa um brinquedo (e espero que a memória não me esteja a falhar). Chegava-me o colo da 
minha mãe durante toda a consulta e o “vês, como és forte” à saída do consultório. Tenho pena, tenho muita pena que os papás de hoje em dia se recusem a dizer não, sob pena de traumatizar a infância da criança e desta ficar com danos psicológicos para toda a vida. Pois é papás, mas ao dizerem “sim” a todo e qualquer capricho, estão a inculcar nos vossos meninos um espírito de facilidade sem qualquer sacrifício e a fazer deles futuros adolescentes, homens e mulheres um tanto ou quanto egocêntricos e mimados, que acham que tudo podem porque sempre tiveram tudo só por pedir.  Não sou mãe, ainda, e sei, porque tenho uma e irmãos mais novos, que é muito difícil dizer um “não, João”, “isso é muito caro, Ana”. Desconfio que devem ser das palavras mais complicadas de se proferir e mais complicado ainda será ver o dito beicinho desabrochar. Mas eu levei muitos “nãos” e estou aqui não estou? Tudo bem, talvez aos olhos de muitos seja a dita mimada e egocêntrica, mas isso são outros carnavais. A mamã do menino que queria “aquelas coisitas de frango frito”, é só uma num milhão. Ainda consigo ver o ar de preocupada e, ao mesmo tempo, arreliada quando me disse que o menino merecia porque se tinha portado bem. E como se não bastasse levar o quartel dos bombeiros para casa, o pequenote, ainda antes de abandonar o meu posto de trabalho, pergunta-me se “aqui têm aquelas coisitas de frango frito?”. A mãe aprontou-se a responder dizendo que eram os tão deliciosos nuggets (também sou fã, desenganem-se) e a dizer ao filhote que iam buscar com certeza, porque ele, efetivamente, merecia.

Mãe e filho terminaram a conta, pagaram e despediram-se com um “boa sorte, minha senhora”. Tudo normal até aqui, mas qual não é o meu espanto quando, ao ver o pequenote virar costas, o vejo agarrado à pernita e o joelho a ceder. A mãe numa atitude instintiva apressou-se a agarrá-lo ao colo e ele, como eu fazia no auge dos meus cinco anos, a esconder a dor no ombro da mamã. Pensei para comigo “caraças pah, o pequenote merecia mesmo o quartel dos bombeiros”. E no final de contas, desta vez, o “sim” tão certo e sempre pronto da mamã foi bem dado. Só espero que, para apaziguar a dor, o pequenote tenha tido direito “aquelas coisitas de frango frito”.